Passarinho que cai do ninho ainda pode amar de novo!

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“Sempre que a vida parece confusa, tento basear a minha própria história nos ensinamentos que a natureza nos oferece diariamente. É que tudo parece funcionar harmônica e perfeitamente no mundo animal. Nas cadeias alimentares. Fora de tudo aquilo que envolve o meu emocional. Foi buscando entender o que acontece com os filhotes de passarinho, que compreendi muita coisa sobre mim mesmo. Sobre os meus relacionamentos. Sobre isso que comumente chamam de amor.

Durante a minha busca, aprendi que quando alguém diz que estamos completando mais uma primavera, essa pessoa está se referindo à estação do ano que acontecem, geralmente, o maior número de nascimento das espécies. Aves, mamíferos, diversos insetos e outros grupos escolhem a estação das flores para florir a vida com um filhote, dois, vários. Mas não é aí que quero chegar. É ao próximo passo depois de viver. De ganhar asas.

O verão é a época na qual os passarinhos saem do ninho. Alguns na hora certa, outros com receio, diversos querendo ainda ter aquele colo que lhes proteja. Mas, inevitavelmente, os pássaros voam para longe de casa. Para uma vida nova. Novos sabores. Novas experiências. Para tudo aquilo que chamamos de virar a página. Superar. Seguir em frente.

E, em algum momento de nossas vidas, todos batemos asas para longe de um amor. É que os relacionamentos, assim como as primaveras, também chegam ao fim. Alguns de nós vão embora de uma relação na hora certa. Quando não havia mais nada de bom a ser compartilhado com o outro. Quando o amor acaba. Outros recebem dolorosos pés na bunda. São enxotados, postos para fora de um coração que até então aquecia do frio.Ainda existem aqueles de nós que precisam reunir forças para alçar voo, mas, simplesmente, não conseguem.É extremamente difícil deixar toda aquela ideia de conforto, de união, por mais que já não haja mais tempo ou vontade possível para ficar e transformar tudo aquilo de novo, mais uma vez, e seguir tentando mudar, aceitar, ponderar, recomeçar.

Sei que já fui longe demais com essa história. Mas… Escrevi até aqui para dizer uma coisa simples, e até poderia descartar todos estes parágrafos e resumir a minha busca a uma única frase: passarinho que não bate as asas fica a vida inteira com medo de sair do ninho. Se contenta com o pouco que lhes dão.

Muitas vezes, aceitamos as migalhas que nos são oferecidas só por medo de voar. Por medo de cair do ninho. Por medo de nunca mais achar outro lugar tão acolhedor para chamar de seu. De lar. Perdemos, assim, as lindas paisagens que estiveram sempre em frente aos nossos olhos. Deixamos de sentir o ar puro preenchendo os nossos pulmões. De ter nosso coração de novo acelerado por coisas boas e já não mais batendo descompassado, apertado, pelos mesmos e já desgastados motivos.

Passarinho que cai do ninho ainda pode amar de novo. E ainda que por ventura nos falte abrigo momentaneamente, ganharemos a liberdade. E amigo, nada no mundo paga a sua sensação de liberdade. De poder ir, vir e fazer o que quiser. Quando a vontade pedir… Não crie uma gaiola imaginária para a sua própria história. Bata asas desse amor, que só você ainda não percebeu que acabou.”

|Matheus Rocha

Como é que eu posso dizer…

“Só hoje, depois de toda uma vida regada a desistências, resolvi assumir: eu sempre gostei do impossível, porque isso justificava a minha covardia. Sim, meu amigo, sou um covarde. Um covarde do amor. Eu, simplesmente, tenho medo disso. Disso de me apaixonar.

Desde muito cedo, entendi que o amor não era pra mim. Percebi que sim, ele existia. Ele era lindo, até demais para o meu gosto. Mas também era muita areia para o meu coraçãozinho. Por isso, acabava sempre indo embora.

Talvez eu devesse pedir desculpa a toda essa gente que eu deixei feliz, mas não liguei no dia seguinte. Pedir perdão por não ter sido forte o suficiente para sentir de volta. Pedir clemência por ser tão inseguro.

A verdade é que eu nunca fui capaz de me entregar verdadeiramente, por medo. Medo não, pavor. Pânico. Eu, durante todas as histórias que entraram na minha, nunca tive coragem de ficar. Sempre me envolvi até um determinado ponto. O ponto que era hermeticamente seguro para não amar de volta.

E, quando o coração acelerava, quando as mãos suavam, eu corria. Mas corria como quem tem gana de ganhar uma maratona. Como um sedento por água no deserto corre em busca de uma miragem. Eu, simplesmente, nunca me sentia seguro para gostar de volta.

No fim, todo o meu ciúme sempre foi uma forma de defesa. Eu sempre senti que seria trocado a cada nascer do sol. E, ao enoitecer, eu estaria ali, de novo, sozinho. Chorando. Sem colo.

O medo de confiar e quebrar a cara é só uma característica de um coração que já amou demais e hoje, ah, hoje ele luta para conseguir sobreviver com o que restou. Tentando não perder mais partes fundamentais de si mesmo.

Depois de mergulhar em mim, percebi que todos os meus amores platônicos vieram da minha falta de segurança. Eu nunca tive coragem suficiente para deixar que gostassem de mim. Eu sempre dei motivos para que fossem embora. Eu sempre procurei a desculpa esfarrapada perfeita para, como é que eu posso dizer… Fugir.

Engraçado. Mesmo fujão, eu sempre quis que alguém fosse capaz de aparecer e mudar tudo, sabe? Alguém que mesmo percebendo que eu estava morrendo de medo e dando todas as desculpas para não gostar de volta, quisesse ficar. Alguém que não desistiria de mim, não importa quantas vezes eu mesmo fosse desistir.

Hoje não seria piada, eu realmente queria um abraço. Mas não qualquer um. O seu. A verdade é que depois de tanto fugir, os meus pés cansados resolveram deixar de ouvir meus pensamentos. Agora eles é que disseram que não dariam mais nem um passo.” (Matheus Rocha)

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